Enquanto isso, na cabeça…

A condição de estarmos imersos nessa sociedade desigual e capitalista corrompe a pré-disposição que temos de sermos bons, ou seja, por dinheiro ou riqueza material alguém pode abrir mão de sua natureza de lealdade, honra e honestidade e entrar em um nível de barbarie no qual o objetivo maior é acumular riquezas, sem se importar com o bem-estar do próximo.
Em contrapartida outro alguém inserido nessa mesma sociedade, pode ambicionar o acúmulo de capital sem causar o mau ao próximo, ou perder os valores de sua natureza, mantendo assim o conceito de ética e moral em suas atitudes e beneficiando o próximo.
Visando a fatalidade da nossa sociedade atual e usando os argumentos expostos, me resta a pergunta: Quem é você? A pessoa que abre mão de suas virtudes naturais para manter uma riqueza, ou a pessoa que ambiciona a riqueza sem abrir mão de suas virtudes?

Pequeno detalhe:

Queria ser capaz de esquecer tudo o que me trouxe até aqui, na verdade eu gostaria de esquecer até mesmo onde estou, pra ver se depois da aminésia eu ainda vou atrás das mesmas coisas e das mesmas pessoas, ou se sigo novos caminhos, aqueles surpreendentes aos quais eu nunca imaginei trilhar.

Liberte-me.

Na minha caixa de mensagens só tem bobagem, ao meu redor só vejo erros e na minha vida eu vejo o pior que poderia acontecer comigo pela minha teimosia; eu sabia que um dia teria fim, era aquela coisa de olhar uma cena de fora e ver que algo não se encaixa, podíamos ter a melhor química do mundo, mas eu não era certa pra você e você não era certo pra mim.

No meio desse quadro sureal onde a patricinha se envolve com o punk o erro é nítido: Eu sou uma mulher, você é um menino. Com as lentes distorcidas a cena toma uma beleza, onde há apenas essência contrastando com a aparência, e eu pronta para o que desse e viesse, tentando arrumar o brinquedo quebrado que era você.

Hoje me amarga o pensamento de que você não estava pronto, eu era a garota certa na hora errada, aquela que foi (mandada) embora. A incerteza da genuínidade desse pensamento me ataca com frequência, mas o que mais posso fazer se você não fala e eu não faço mais nada?

O quadro surreal desenvolveu-se, criaram-se pinturas famosas para sequenciar aquele primeiro da patricinha e o punk, esta que contemplo neste momento é o de duas pessoas puxando uma corda e reforçando um nó que deveria ser desfeito para que ambas seguissem sem a consciência pesada ou os pensamentos martirizados.Se desculpe, me liberte.

 

18 anos, inconsequente.

Hoje eu abri os olhos de manhã enquanto meu pai se vestia para trabalhar – estou dividindo quarto com meus pais até domingo – e fazia um tremendo barulho, a primeira coisa que eu ouvi foi  ‘Aaah a minha adulta de 18 anos acordou’.

Eu esqueci do meu sonho e a ficha caiu: Porra! Eu fiz 18 anos!

Enquanto me enrolava no meu cobertor e abraçava a minha zebra (Dave) que me acompanhara nesses anos de minha vida, eu tive a epifania matinal que eu esperava ter só daqui alguns meses ou anos, eu não estou mais naquela estranha transição de criança para adolescente (apesar de dormir abraçada em uma zebra de pelúcia) e nem na transição exata de adolescente pra adulta, hoje o mundo me jogou responsabilidades nos braços e disse ‘lide com isso’.

Justamente pela obrigação de ter que lidar com isso, eu fugi. Passei a manhã do meu aniversário com a minha família e atendendo ligações, almocei com a minha mãe e fui para o lugar onde todos os meus problemas desaparecem: Avenida Paulista.

Em meio a enormes prédios, eu me sinto enorme -talvez seja alguma coisa relacionada ao meu ego- e tudo a minha volta é paradoxo, os carros e as pessoas apressadas, transitando na avenida mais transitada da cidade mais urbana que eu já visitei, aproveitei meu dia com calma, pois seria o último daquela existência fácil, quando tudo o que eu não queria simplesmente era jogado para o alto.

PS:Só terminei esse texto 132 dias após meu aniversário.