Saving up for a next time.

Inevitavelmente e apesar de todos os rodeios, escapadas e negações, nós crescemos e amadurecemos, senão pelo amor, pela dor; e essas alegrias vorazes que nos arrancam os sentidos fazendo nossos corações saltarem do peito conhecem seus fins de maneira eloquente, apagam a luz que nossos corações sedentos enxergam como um milhão de holofotes, deixando-nos na escuridão.

Tais alegrias repentinas nos levam à tristezas transtornantes transformando o colorido em caleidoscópico, e a claridade que se desfaz nesses quadros recém-pintados a chuva leva, se esvaindo assim a identidade e independência, mudamos o prumo, baixamos o ombro, a cabeça e o ego.

Essa queda gradual representa a inevitável confrontação do que se imagina ser com o que realmente se é, aquelas portas fechadas no porão escuro são mais difíceis de se ver, e quando nos falta a luz buscamos aqueles ofuscantes holofotes, caindo sequencialmente em mais escuridão, desesperados, desalmados e desequilibrados.

Tamanho desnorteio só é revertido quando tomamos consciência que viver de chiaroscuro é imprudente, e nos remete à ignorância de nós mesmos os perdidos em meio a extremos reversos, encontramos o cinza na procura de nós mesmos, e ao longo do tempo colorimos quem somos nós com nossos próprios lápis, construindo impérios e derrubando antigos pensamentos e modos pragmáticos criados para viver como se acha conveniente.

Tirando meu auto-retrato da chuva, decidi guardar-lo por algum tempo e admirar os traços que são meus, conhecer melhor o autor e conservar para a próxima vez que algum olhar cruzar o meu, que algum sussurro me arrepiar ou algum beijo me trazer belas cores.