Eu preciso do dia de amanhã…

Há algo de especial em um mal dia. Algo simples que ainda nos faz rir apesar de termos perdido o dinheiro do almoço, sonhado com nossos exs, acordado tarde e doente… Há algo de magnifico que nos leva a valorizar o que não vemos todos os dias, mesmo estando lá o tempo todo, são os pássaros ignorados, as flores, os bons amigos e os bons amores, todo mal dia deveria ser seguido da pergunta: “e por que não?”.
No entanto, sempre é seguido de pensamentos sobre os reveses, atraindo outros piores, mas qual o nosso problema senão percebemos que somos o que pensamos? O que nos impede em aprender com um dia de fracassos? São eles que nos fortalecem, que nos fazem crescer e sermos as melhores pessoas do mundo.
A cura para um mal dia está em sorrisos sinceros e corações felizes, ela está conosco, esperando pelo dia seguinte onde tudo será diferente.

Hablando comigo (novamente)

– Guria, tu ta fugindo de novo.

– Eeee…Voltou pra me encher o saco, sai daqui! Num te devo mais nada, não!

– Claro que deves!Ano passado tu sumiste como fumaça, e ainda me deu uma desculpa pra lá de ridícula, antes de reclamar que não sabias mais expressar teus problemas! Aprendeu pelo menos?

– Grande parte desse meu ano passei reclamando, aprendi…Meus problemas agora são outros.

– Outros quais?

– Aprender a calar e a sentir.

– Baah! Tu vais me dizer de cara lavada assim que tu não sabes sentir?

– Sinto, sinto uma dor no peito de vez em quando que não sei do que é, sei que é angústia mas não sei a raiz, confundo passado com presente e futuro, misturo tudo e raramente as pessoas deixam de saber o que eu penso.

– Mas baah…

Meu conto.

Foi o melhor mês do ano todo, com o melhor clima, a melhor paisagem e as melhores experiências; observando-o como se fosse um filme, mesmo com o final triste e revoltante e apesar de todos os tombos, eu não faria nada diferente, embora tenha que confessar: entrar mesmo de cabeça e interpretar o papel principal nesse filme me custou cara e coração, e ao final de cada cena era nítido o desgaste que me causava.

Aquela noite de meados de verão foi crucial, deitada na cama depois de registrar minhas ideias, fechei os olhos e decidi que acabaria por ali mesmo, era o receio das feridas causadas pela incerteza que hoje me orgulho de dizer que passei por cima, silenciei o medo com a coragem de pioneira e me lancei nesse futuro completamente incerto.

Coragem, honra e desafios: Mais quixotesco que isso, só se envolvesse uma donzela em perigo, uma fada madrinha e um anjo da guarda. E sinto lhes informar, em minha cabeça nada disso faltava.

Mas todo carnaval tem seu fim, e ironicamente a minha alegoria quixotesca teve fim com a comemoração, e até hoje depois de sonhos que vêm embalsamar minha memória, acordo com aquela sensação de alegria e conforto que encontrei há tempos atrás.

 

Escrevo quando não posso mais falar.

O grande dia.

Você passa dez anos estudando em colégio particular, só nos melhores, com os melhores professores e os melhores alunos, com notas que são as melhores em uma área e mediana na outra achando que de fato está equilibrado, e como sua mãe diz diáriamente, pronto pra passar no vestibular (mas sem pressão, porque ela nem conta muito com isso).

Até o dia chegar.

Primeiro começa todo aquele auê pra chegar na escola onde será realizada a  a prova, parece que o mundo está conspirando a favor do seu atraso, é trânsito, almoço que demora (até mesmo nos fast-foods), todos os faróis fechados somando com o nervosismo que os florais da sua mãe e a mandiga da sua avó não aliviou; depois que você já deu seu ataque de nervosismo no carro e sua mãe quase atropelou metade dos estudantes (infelizmente quase, a concorrência poderia diminuir), você finalmente entra na sala e…Espera cerca de meia hora para a moça distribuir a sua prova, e pra matar o tempo, nada melhor do que ver quais equações de física você lembra ou quais são os tipos de clima predominantes do Azerbaijão.

Prova na mão.

Faz uma parte da prova e naquelas questões alienígenas tem o chute consciente: A de ‘Ah, deve ser essa mesmo’, B de ‘Brioche é bom’, C de ‘Certo, correto’, D de ‘Deus’ (essa é ótima pra questões de exatas) e E de ‘Eu deveria ter estudado isso ao invés de ir pro bar.

Pós Prova.

Você liga pra sua mãe, entra no carro e diz ‘Por favor, que eu passe nesse porque outro vestibular desses me mataria’, depois da depressão pós vestibular vem as festas,  natal, ano novo que você não lembra e a primeira lista:

*Bin Ya Chen

*Chen Youn Po

*Dodika Mayuara Naniva

Bairro da liberdade entrou na USP, você não.

Mas meu caro, isso não é o fim do mundo! O fim do mundo é você desistir de fazer o vestibular porque o *Nakamura Tamakashi passou e você não, agora é hora de fazer cursinho, beber mais, sair mais e … Fazer mais um vestibular.

*Nomes fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência.