La Hermana.

Todo dia ninguém Lari acorda já deitada, enquanto todos almoçam seus olhos abrem e a rinite vem dizer bom dia, o primeiro ar da manhã quase tarde é seco e frio em São Paulo o primeiro olhar é para uma cama vazia.

Manhã cedo nunca foi bom de levantar, enquanto seus sonhos são sustentados ela acorda quando quer e só trabalha a noite, ninguém Lari não acredita no dinheiro e nas instituições que lhe foram impostas, se recusa a ver o mundo girar em torno da matéria e ela brinca de ser feliz todos os dias quando passeia com a sua cachorra e ouve músicas de tempos que elas não viveram.

O dia todo ela sonha com coisas impossíveis de dizer, não procura mais em outros olhos uma extensão de si mesma, mas pede pra seus orixás cuidarem de quem ainda não chegou. O dia passa com esperanças e impressões, as noites vem com sorrisos e cantadas de homens que não cativam e olhares que não preenchem, as vezes ela encontra alguém para dizer o que é sufoco e pedir pra acompanhar, quer dividir o seu mundo mas não quer achar.

E por enquanto, quando todos vocês acordam ela tira os sapatos e vai dormir pensando no último romance, na fila do pão, e no que é sossego que vive e não tem ninguém para acompanhar.

 

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