A moça.

Chinelos, cabelos castanho até as costas, vestido longo floral, uma franja curta, o batom vermelho e os olhos castanhos claros com um mistério provido de um misto de emoções que passam pela cabeça e o coração daquela mulher que conversa num bar barato, caído e brega com um homem qualquer.
– E devido ao fato de viver a vida por mim, vivo de amores passageiros, intensos e quentes no começo e preguiçosos, cansados no fim. Tenho que admitir que dói bastante quando acaba, a intensidade requer um grande toque de esperança e uma visão do futuro com um otimismo peculiar, quando as coisas esfriam tudo dói, é como se você passasse o dia todo na praia com 40 graus na cabeça e se enfiasse em uma piscina de gelo, não é alívio, é dor. É choque térmico.
O homem não consegue parar de olhar para ela, existe uma beleza na dor que expõe e ele não quer ser um qualquer…Ele quer aquilo, quer a praia de 40 graus todo dia, e se depender dele não vai pro gelo, fica a fitar os movimentos dela, ela não fuma o cigarro…Ela o respira. Não da goles delicados na cerveja, vira. Não olha pro chão pensando em sua tristeza, olha pra frente, olha pra ele, sorri.
O coração para uma fração de segundo, ela apaga o cigarro e diz:
– Tenho que ir, ainda tenho que decidir o que fazer com esse relacionamento.
E se vai, deixando a minha cabeça confusa como a dos outros homens com quem ela se envolveu, algo me faz querer cuidá-la, mas ela parece que nunca vai permitir.
Se foi.

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Carta.

Estou assustadíssima.

É o fato de você ser de verdade, dos seus sentimentos e sua bagagem serem tão reais quanto os meus, eu não sei o que fazer com isso e fiz você depositar qualquer fé nas minhas palavras incertas de alguém que busca uma companhia pra vida toda.

Eu perdi muito antes de te conhecer, me apaixonei pela pessoa que era meu apoio, meu irmão e meu melhor amigo, e essa paixão se extinguiu com muita força repentinamente, eu não sei se ela se extinguiu na verdade, a pessoa deixou de estar ao meu lado para ocupar o lugar ao lado de uma pessoa que não passa tudo o que eu passo, e nunca passará. 

Eu não sei ser cuidada, não sei ouvir um não sem ficar ansiosa se aquilo significa um fim, um enjoo que precede o fim, veja bem, eu fui deixada muitas vezes e não sei deixar de acreditar nas pessoas…Sinceramente não sei de onde eu tiro fé em mim, sei que suas ações criaram algo dentro de mim que me assusta por ser intenso, por ser muito forte e por curar partes de mim que eu nem lembrava que existia.

Eu preciso saber por mim, até onde a necessidade de alguém ao meu lado está me levando, espero que não piore o seu quadro no meio do caminho, se for pra gente seguir caminhos diferentes, que ao menos eu tenha a dignidade de ser nula, porque gente importante trás sofrimento.

Entende? Se a gente ama alguém e essa pessoa nos deixa pra sempre mas mantem as boas memórias conosco, é um sofrimento por nunca mais podermos ter de volta, mas se for negativo o sofrimento é por conta dos nossos erros, ou pior, dos erros da pessoa que nós amamos.

Me deixe ser nula, porque não posso carregar tudo isso.