E se eu te tirasse para dançar?

Não espero saber o que eu quero da vida, na maior parte do tempo saio sem olhar pros lados e não espero nada para mudar tudo, muito menos o pouco que se encontra constante, nesse mundo contraditório.
Espero poder sair e viver com o fôlego dessa necessidade de expressão que nos oprime, aperta o peito, tremem as mãos, as palavras nunca param de vir. E certas coisas merecem o desabafo.
São duas da manhã e eu ainda estou pensando naquela ligação. Eu estava tão distraída! Você falava da frieza, e eu me sinto fria!
Quem me tornei? Sou essa pessoa fria de verão a inverno?
Distante e cansada, marcada fszendo o esforço de lembrar que nada é por acaso, certo? As vezes a vida me pede frieza, ou ao menos distanciamento, porque eu não aguento esse sofrimento coletivo. Na verdade, eu não entendo.
Eu não entendo o que é para querer da vida, parece que aquela história do Nietzsche do diabo que me avisa que essa vida se repete, exatamente como eu vivi e vivo, milhões de vezes, é a coisa mais verdadeira a que posso me apegar.
Mas no final disso tudo, não haverão coisas, nem apego.
Mas e se eu esquecesse? O trabalho, as prisões e os manicômios. A realidade que me machuca, e te tirasse hoje pra dançar?
Seria o baile dos sem cansaço, dos sem amarguras e dúvidas. Seria a chuva sem ácidos caindo em nossos corpos. Seria a menina nua, o menino nu… Seria tanta beleza que já deixaria claro: não pertence a esse mundo.

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