Weak.

“Eu não deveria pensar isso.”
É o que digo pra mim mesma quando minha mente divaga e para em você. Fantasias se formam e eu as alimento mesmo sabendo que não deveria, é a história de uma flecha que não vi chegar ao me acertar.
“Eu não deveria escrever esse texto.”
Eu sei que não deveria, porque vai que você lê, e como acompanha os passos que eu deixo públicos nessas redes sociais, pode muito bem parar aqui.
“Eu não deveria responder”.
É o que eu penso sempre quando você manda mensagem na segunda e para na quinta porque está com sua namorada.
Mas eu penso, escrevo e respondo, as vezes me deixo ser fria e você aparece nos meus sonhos, neles eu sempre sou no que estou, superada de você e me perguntando “pra que isso?”.
É quando os devaneios chegam mais perto de concreto. Uma vez você segurou minha mão no metrô porque eu queria ir embora, você disse “vamos juntos”, mas a porta não abriu e eu acordei.
Na outra, mais recente, você ficava chateado porque eu, na defensiva, ri do ciúmes da sua namorada e disse que você foi só uma foda de carnaval. Minha consciência do inconsciente ficou pesada e fui te procurar, você tinha chorado, disse que aquilo te chateou e me beijou.
Acordei a meia noite desesperada, em crise de ansiedade. “Que merda é essa? Eu não deveria sonhar isso”.
Não deveria mesmo, deveria inclusive ter virado pro lado e voltado a dormir naquela manhã de fevereiro ao invés de te conhecer.
E você não deveria ter se aberto tanto, não deveria confiar em mim porque eu torço pelo fim. Você não deveria tentar se aproximar de alguém que escreve um texto desses lembrando que chorou no show do Ed Sheeran ao som de Happier. E eu não deveria escrever isso sabendo que há uma possibilidade de você ler.
Mas eu sou fraca, e qual é o problema? Cara eu adoro quando caio nessa.

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Sobre aquele movimento pra direita no app. de “encontros”[Parte 1]

Em um início de tarde de um dia importante você reapareceu como sempre será: amigável, rápido e com uma capacidade de ser profundo que contradiz tudo o que aparenta. Eu me sinto grata.
Em um início de viagem marcante você me apareceu pela primeira vez, no meio de um grande aglomerado de pessoas com suas melhores fotos, lá estava você. Loiro, bonito e submisso. Movimento pra direita, combinado.
Você fez uma piada, eu ri e continuamos conversando, você me provocava e minha cabeça girava com toda a complexidade da relação que se construía, na chegada daquela viagem só conseguia me perguntar “O que estou fazendo com a minha vida?”. Decidi tomar controle, e tomei controle da minha vida com toda a força possível.
E durante esses processos complexos você tentava me ver. Eu medrosa, reticente, assustada, curiosa e toda problemática. Toda vez que você me chamava eu queria ir mas a insistência no presente falido me fazia te evitar, até o dia que larguei das amarras e fui.
E como foi bom te conhecer! Poder entrar na complexidade do seu ser e rir com suas piadas ruins, não entendia como elas poderiam ser o bastante para alguém te evitar.
E fui, mesmo quando você disse que ia partir, eu estive aqui. Já dizia aquela música que quando o outro é mais sentimental, fica bem se eu sofro um pouco mais. E eu não sofri. Não sofri porque eu sabia que você também estava apegado a mim e a ideia de nós, não sofri porque tinha a tranquilidade de saber que você estava livre e eu não te prendia.
Eventualmente você foi embora, mas antes disso me disse algo que me deixou tranquila “com você é diferente”, então estava tudo bem se quando eu sentisse falta da casa que me alimentava e cuidava de mim enquanto eu estava gata de rua ainda estivesse aberta pra me receber, mesmo que em outro continente.
Hoje ainda sou gata, apanho muito menos na rua e sorrio ao saber que por aí ta tudo bem. Porque por aqui ta tudo bem também.
Que bom que em algum momento na vida eu fiz um movimento à direita.

Devaneios…

Se um dia tiver uma casa
nada grande, ou ambicioso,
quero que a luz venha do sol
e o refresco seja do vento.

Se um dia tiver uma casa
que seja de frente pro mar
De fachada antiga, como em Olinda
pra eu poder restaurar.

Vou pintar de amarelo
e colocar flores cor-de-rosa
Na escada um cachorro qualquer
Na sala, o tom quente vem do sol
e do chão escuro o ambiente

Nessa casa terá
Uma escada simples pra te levar
Pra cama e pros livros.

Entre a sala e a cozinha
Uma sala de jantar
Um papel de parede dos anos 60
E um par de cadeiras na mesa de madeira.

Na cozinha aconchegante
vou passar café e fazer bolo
vai ser 16:00 o dia todo.

O quintal é meu favorito
vou tirar o concreto e fazer um jardim
com cercado de ferro branco
árvores, arbustos e flores.

Vou plantar uma dama-da-noite
e passar as noites de verão contigo
na meia luz, perto da praia,
com as estrelas e as flores.

Se um dia eu tiver uma casa
eu vou ter saído da cidade cinza
do apartamento
da rabugice
da correria
e vou ter chegado na tranquilidade.

A primeira vez.

É a primeira vez que me sinto/fico sozinha depois do término. Faz 5 dias e a ficha só está caindo hoje de que acabou.
Não vou ver mais seus olhinhos de cada cor e te encher de beijinho, não vou poder falar “eu te amo” a cada merda que lembro que fiz e ouvir você dizendo “eu também te amo”; voltam os receios da solidão e da carência, fica essa sensação de vazio de vez em quando e eu não sei o que fazer.
Há um ano a gente se mudava. Apartamento novo, cadeiras e mesas, cama, geladeira e o fogão que nunca chegava, tudo isso parece longe demais. Faz dois anos que estávamos loucamente apaixonados, sua formatura, nossa felicidade, seus receios e meu acalento.
Eu só queria um abraço. Pela primeira vez na vida não consegui dar um último beijo, por mais que você tenha me pedido. Talvez porque foi a primeira vez que eu dei o tiro que matou uma relação e eu não queria ser a pessoa que começou e terminou esse namoro. Talvez foi só porque aqui dentro, em algum lugar escondido, eu não quero acreditar que a gente chegou no fim.
Faz três dias que trabalho e saio de casa, que curto a vida e as coisas a minha volta como elas realmente são: A única coisa ao meu alcance nesse momento.
E eu vejo resquícios de outros em mim, porque eu não sei lidar com esses fins. Tem aquela sensação da primeira vez que eu vi o primeiro cara que partiu meu coração, a taciturnidade do moço que não sorria tanto e a sua frustração por eu não ser o que você gostava mais.
Atente que não estou me fazendo de vítima, eu também não gostava mais de você. Na verdade, terminar essa relação estava na minha cabeça há muito tempo, mas como nós somos pessoas maravilhosas eu sempre conseguia segurar. Eu já não suportava mais o seu descaso distraído, a sua mania de não se dedicar aos presentes como eu me dedicava, ao seus jeito quadrado que não nos permitia viajar de uma maneira tranquila e barata. De certa maneira eu acho que me perdi muito tentando viver do seu jeito, e você se desgastou muito tentando se desconstruir.
O que eu sinto é que a paixão acabou e sobrou apenas essa coisa livre que é o amor. Mas se o amor é livre, por que você teimava tanto em me prender? Por que eu não podia ter amigos e amigas? Por que eu não podia me divertir com outras pessoas e espalhar o meu amor? Por que você queria passar TODO o seu tempo AMANDO UMA PESSOA SÓ?
Eu não sou assim, eu não amo um, eu não amo uma, eu amo vários e várias. Eu me jogo no mundo pra dançar e me divirto até dizer chega, tropeços sempre existirão, mas a gente levanta de toda a queda e segue em frente, porque não tem mais pra onde ir e uma hora ficar parada cansa.
Eu fiquei parada por 3 anos, três anos divertidos mas com uma leve sensação de prisão.
É a primeira vez que eu fico sozinha em três anos, eu escrevi esse texto porque estava assustada, mas agora sinto que sei exatamente aonde ir.

A moça pt. III

Vestido floral é o raio que o parta!
Cabelos até as costas?
Um homem pro resto da vida?
O – raio – que – o – parta!
A moça depois de quase três anos de muito amor, carinho e atenção, decidiu que não ia mais agradar a ninguém com estereótipos. Com falsos sentimentos de perdão ou dó, ela tem uma memória que falha muito sim, mas um cérebro que sempre a faz voltar pra onde as coisas deram errado.
– Um momento bom pra mim, foi ver que ele sentiu em algum momento parte do que senti.

Silêncio.

O choro do impeachment

O discurso (de Dilma, no dia 12/05/16) que me fez chorar não pelos motivos que aleatoriamente a direita coloca como nosso norte, mas por entender na pele que tantos direitos que tenho hoje são frutos de outras pessoas e lutas passadas.
Eu tenho 23 anos e me lembro de quando o salário mínimo era de R$250,00, lembro-me do preço dos ônibus que eu quase não pegava, lembro do valor de desconto da escola particular na qual eu era bolsista integral.
Eu me lembro dos meus pais investindo fortemente na minha educação para que eu tivesse uma condição melhor que eles, lembro de quando o Lula ganhou em 2002, uma amiga da minha mãe vociferava com um ódio que eu não entendia dizendo que “aquele nojento do Lula pegou a faixa do FHC e seria o fim do país”.
Ironicamente foi essa amiga da minha mãe que me ensinou o que era traição em tantas maneiras que as boas lembranças que tivemos ficaram amargas.
Lembro da minha amiga negra que era filha de pais petistas e o tanto que ela estava feliz, eu não entendia…Eu tinha só 11 anos e amava as aulas de história, onde meu professor me ensinava a olhar as gravuras e questionar, entender o tempo que dizia respeito a elas e como era a sociedade.
Inclusive foi na aula de história que aprendi a pirâmide social, e como a igreja, a nobreza e depois e a burguesia sempre estavam acima da maior parte do povo, os trabalhadores, os escravos, os servos. Foi na aula de história que aprendi a guerra e como ela é horrível, como a ditadura, canudos e a guerra do Paraguai foram sombrios, como o nazismo (com o qual parte da minha família compactuou na guerra) dizimou milhares de pessoas.
Eu cresci pra entrar na USP. Tentei duas vezes, não consegui e entrei na UNIFESP pelo ENEM. Fui o milagre do ENEM.
Quantos anos de cursinho eu teria que pagar se não fosse o REUNI?
Na universidade aprendi a luta e a perseguição política mais do que em qualquer espaço que já vivi – o escoteiro, os movimentos sociais de SBC – recebi uma carga de informação que nem os professores dedicados do Ensino Médio, nem o Punk conseguiram me passar quando eu tinha tempo livre.
Eu amadureci.
Eu achei que era fácil o salário subir para R$880,00 em 13 anos, que era lógico que meus pais aos 40 anos teriam a casa própria – e que desorganizados financeiramente! Não conseguiram aos 30 por que? – que já era tempo de termos essa Política Nacional de Assistência Social, que os direitos trabalhistas eram perpétuos, que o SUS ter sido ampliado era um caminho lógico de evolução.
Eu achava que até faxineiro de universidade pública era concursado.
Então hoje eu chorei, porque eu cansei das injustiças, porque perdoa mãe, eu vou ser assistente social e lutar contra as opressões de classe porque escolhi um curso no qual eu estudaria Marx e atuaria contra os absurdos da prisão para as mulheres que são mães.
E eu sei que se houver perseguição política, serei eu e meus amigos, amores e alguns familiares que iremos para a prisão sem motivos, mas o que é isso? O que é um tiro na cabeça sem nenhuma explicação, se isso ocorre diariamente na periferia? O que é um impeachment sem crime do que algo mais público do que vejo no cotidiano.
Onde tanta gente cai na injustiça, pelos interesses de uns…
Chorei porque não sei lutar e nunca acendi um molotov.

E se eu te tirasse para dançar?

Não espero saber o que eu quero da vida, na maior parte do tempo saio sem olhar pros lados e não espero nada para mudar tudo, muito menos o pouco que se encontra constante, nesse mundo contraditório.
Espero poder sair e viver com o fôlego dessa necessidade de expressão que nos oprime, aperta o peito, tremem as mãos, as palavras nunca param de vir. E certas coisas merecem o desabafo.
São duas da manhã e eu ainda estou pensando naquela ligação. Eu estava tão distraída! Você falava da frieza, e eu me sinto fria!
Quem me tornei? Sou essa pessoa fria de verão a inverno?
Distante e cansada, marcada fszendo o esforço de lembrar que nada é por acaso, certo? As vezes a vida me pede frieza, ou ao menos distanciamento, porque eu não aguento esse sofrimento coletivo. Na verdade, eu não entendo.
Eu não entendo o que é para querer da vida, parece que aquela história do Nietzsche do diabo que me avisa que essa vida se repete, exatamente como eu vivi e vivo, milhões de vezes, é a coisa mais verdadeira a que posso me apegar.
Mas no final disso tudo, não haverão coisas, nem apego.
Mas e se eu esquecesse? O trabalho, as prisões e os manicômios. A realidade que me machuca, e te tirasse hoje pra dançar?
Seria o baile dos sem cansaço, dos sem amarguras e dúvidas. Seria a chuva sem ácidos caindo em nossos corpos. Seria a menina nua, o menino nu… Seria tanta beleza que já deixaria claro: não pertence a esse mundo.